sexta-feira, 9 de março de 2012

Nosso Corpo, Nosso Território

Foto: Leandro Pena.

A história da humanidade é uma história de grandes conquistas. Conquistas territoriais, inclusive. Por toda a parte, guerras foram e são travadas para garantir a posse de terras, avançar as fronteiras, incluir recursos naturais importantes e passíveis de serem explorados. Nesses conflitos, quase sempre outros recursos também são reivindicados: o corpo das mulheres.
Em tempos de conflito, soldados e integrantes de milícias são incentivados a estuprarem coletivamente mulheres de regiões tomadas. Na ação de reintegração de posse do Pinheirinhos promovida pelo governo do Estado de São Paulo, houve denúncias de estupros praticados por policiais. Na Líbia, Muamar Kadafi teria incentivado seus soldados a estuprar as mulheres dasfamílias consideradas rebeldes, inclusive oferecendo-lhes dinheiro como “recompensa”.


No caso dos estupros coletivos praticados durante a ocupação de territórios, eles são também atos de soberania. Assim com um legislador define quem é o dono de determinado território, os homens definem através do estupro quais corpos lhes pertencem. Assim, subjulgadas física e moralmente, as mulheres sentem em seus corpos a violência e o poder dos seus dominadores. Trata-se de ato de violência expressiva e instrumental, ou seja, tem como única finalidade o controle absoluto de uma vontade sobre a outra.
Na cultura machista em que vivemos, não se trata, portanto, de um problema individual, um transtorno de personalidade. Significa que os homens aprendem de diferentes maneiras, através de diferentes estímulos, que os corpos das mulheres estão de alguma maneira acessíveis aos seus impulsos.  Nos termos da política, que eles podem ser dominados, e que esta dominação demonstra o poder, a força e incapacidade de ação daqueles que são subjulgados.

A tomada de territórios por séculos significou a tomada do corpo das mulheres, o que acontece até hoje. Nossa cultura machista faz com que sejamos vistas como objetos, instrumentos de consolidação do poder a serem invadidos e violentados.

E entre tantas luta travadas pelos nossos direitos, neste 8 de março reivindicamos um direito fundamental: o de decidir sobre o nosso corpo. Estados, Igrejas, Mercados, todos reivindicam a possibilidade de decidir sobre os nossos futuros, sobre o território do nosso corpo. Mas ele é nosso e nós o defendemos como defendemos nossos territórios.



_________________________________________________
 Priscilla Brito

Tem problemas de concentração e pensa milhões de coisas ao mesmo tempo. Quase sempre, são planos de como mudar o mundo a partir das inspirações feministas cotidianas.

1 comentários:

Anônimo disse...

gosrtaria de saber se ha motivos rpa uma feminista defensora do aborto ser CONTRA uma cpi acerca do tema.

estes grupos q fazem abortos ILEGAIS causam amorte de muuitas mulheres

e as ongs americanas as financiam e vc feministas não falam nada ?????

Twitter Facebook Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates