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| Foto: Leandro Pena. |
A história
da humanidade é uma história de grandes conquistas. Conquistas territoriais,
inclusive. Por toda a parte, guerras foram e são travadas para garantir a posse
de terras, avançar as fronteiras, incluir recursos naturais importantes e
passíveis de serem explorados. Nesses conflitos, quase sempre outros recursos
também são reivindicados: o corpo das mulheres.
Em tempos
de conflito, soldados e integrantes de milícias são incentivados a estuprarem
coletivamente mulheres de regiões tomadas. Na ação de reintegração de posse do Pinheirinhos
promovida pelo governo do Estado de São Paulo, houve denúncias de estupros praticados por policiais. Na
Líbia, Muamar Kadafi teria incentivado seus soldados a estuprar as mulheres dasfamílias consideradas rebeldes, inclusive oferecendo-lhes dinheiro como
“recompensa”.
Muitas
vezes o estupro de mulheres é visto como um ato praticado por homens doentes,
psicologicamente perturbados. Segundo Rita Segato (2005), em um estudo comcondenados pro crimes sexuais na penitenciária de Brasília, reforça a tesefeminista de que estupros não são obra de desvios individuais, doentes mentaisou anomalias sociais, mas sim expressões de uma estrutura simbólica profundaque organiza nossos atos e nossas fantasias e confere-lhes inteligibilidade”(p. 270).
No caso
dos estupros coletivos praticados durante a ocupação de territórios, eles são
também atos de soberania. Assim com um legislador define quem é o dono de
determinado território, os homens definem através do estupro quais corpos lhes
pertencem. Assim, subjulgadas física e moralmente, as mulheres sentem em seus
corpos a violência e o poder dos seus dominadores. Trata-se de ato de violência
expressiva e instrumental, ou seja, tem como única finalidade o controle
absoluto de uma vontade sobre a outra.
Na cultura
machista em que vivemos, não se trata, portanto, de um problema individual, um
transtorno de personalidade. Significa que os homens aprendem de diferentes
maneiras, através de diferentes estímulos, que os corpos das mulheres estão de
alguma maneira acessíveis aos seus impulsos.
Nos termos da política, que eles podem ser dominados, e que esta
dominação demonstra o poder, a força e incapacidade de ação daqueles que são
subjulgados.
A tomada
de territórios por séculos significou a tomada do corpo das mulheres, o que
acontece até hoje. Nossa cultura machista faz com que sejamos vistas como
objetos, instrumentos de consolidação do poder a serem invadidos e violentados.
E entre
tantas luta travadas pelos nossos direitos, neste 8 de março reivindicamos um
direito fundamental: o de decidir sobre o nosso corpo. Estados, Igrejas,
Mercados, todos reivindicam a possibilidade de decidir sobre os nossos futuros,
sobre o território do nosso corpo. Mas ele é nosso e nós o defendemos como
defendemos nossos territórios.
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Priscilla Brito
Tem
problemas de concentração e pensa milhões de coisas ao mesmo tempo.
Quase sempre, são planos de como mudar o mundo a partir das inspirações
feministas cotidianas.


sexta-feira, março 09, 2012


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1 comentários:
gosrtaria de saber se ha motivos rpa uma feminista defensora do aborto ser CONTRA uma cpi acerca do tema.
estes grupos q fazem abortos ILEGAIS causam amorte de muuitas mulheres
e as ongs americanas as financiam e vc feministas não falam nada ?????
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