O desespero de estar sozinha diante de uma folha com o resultado do teste de HIV. Positivo. A pergunta "O que vai ser agora?", tão difícil, martelando, machucando, revirando os próprios preconceitos. "Onde foi que eu errei?".
![]() |
| Imagem: Lefteris Koulonis, no Flickr, em CC (alguns direitos reservados). |
Não tem volta. Para sobreviver vai ser preciso enfrentar o tratamento, o preconceito, redescobrir-se no sexo e no amor. Vai ser preciso sair da reclusão, do medo de se expor e de contar para se deixar ajudar e para ajudar outras na mesma situação.
É assim que as militantes do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas tentam superar o estigma da doença e viver com dignidade, lutando por um tratamento digno. Oficializado em 2004, o MNCP luta para dar força às mulheres "Posithivas" para que elas retomem seu espaço social, saindo da inércia, numa rede de solidariedade que também luta pela prevenção, para evitar que outras mulheres sejam infectadas.
Elas promovem cursos e palestras, participam de diversos espaços da sociedade civil, como as Conferências Nacionais. Hoje, por exemplo, tem representantes aqui em Brasília para a Conferência Nacional de Saúde. "Você acredita que todo o tratamento anti-HIV atual é voltado para os homens? É testado neles, feito pra eles, a gente quase morre e eles ficam numa boa", me disse uma vez uma das militantes do movimento no DF. E se até o tratamento médico descrimina as mulheres, como não dizer que é uma luta feminista? "A gente se declara feminista porque é assim somos mais fortes, nos unimos a outras companheiras solidárias à nossa causa", disse a cidadã posithiva. Que bom que estamos juntas, vencendo preconceitos.
Leia também:
Um laço vermelho pela vida e contra o preconceito, de Renata Corrêa;
Porque nós mulheres somos mais vulneráveis à AIDS, de Marília Moschkovich
_______________________________________________________________________________
Priscilla Brito
Tem
problemas de concentração e pensa milhões de coisas ao mesmo tempo.
Quase sempre, são planos de como mudar o mundo a partir das inspirações
feministas cotidianas.


quinta-feira, dezembro 01, 2011


Posted in:
0 comentários:
Postar um comentário