Foto: Jorge Henrique Cordeiro.
A relação mídia e governo já se tornou até banal. Já sabemos
o que esperar de um e de outro. Ultimamente me surpreendeu ouvir declarações do
Ministro Carlos Lupi. Pelo visto não é só a mídia que tem o costume de
estereotipar e inferiorizar a mulher. O ministro disse à presidenta Dilma “você
sabe que eu te amo”. Foi uma espécie de pedido de desculpas pelas besteiras
ditas anteriormente. É revoltante esse tipo de tratamento. Ministro, acho que
não entendeu muito bem o papel que as mulheres ocupam atualmente e muito menos
nossas aspirações. Não somos meninas carentes a espera de um “eu te amo”. Falar
isso nunca resolveu nenhuma situação de conflito entre casais, que dirá numa
relação profissional. Aliás, chega a ser
patético, Sr. Ministro.
E, o mais irônico disso tudo é eu ter que concordar com
Arnaldo Jabor, que é conhecido por sua arrogância, machismo e ignorância. Noentanto, até ele criticou o machismo e o desrespeito do ministro Lupi. Que
curioso!
Mas é claro que a mídia não virou feminista. A grande mídia
quer criticar o governo Dilma, e insiste no boliche de ministro e na reforma
ministerial.
E as mulheres perdem mais uma vez! Com a reforma, asSecretarias de Políticas para as Mulheres e de Igualdade Racial setransformariam em um grande Ministério dos Direitos Humanos.
Quando o governo fala em marco regulatório das comunicações,
a mídia estremece e vem com o argumento distorcido de sempre: “é censura!”. Mas
a mídia adora – e se acha no direito de – falar e exigir a reforma ministerial!
Mas não nego que a mídia tem o direito e o dever de cobrar o
poder público. Mas ela representa a vontade de quem? A voz de quem?
A grande mídia já anuncia a reforma ministerial, Dilma diz
que é boato. E os movimentos começam a reagir! Ei, peraí, em quem a gente
acredita?
A questão é que essa mídia não pode ser o único interlocutor
do governo com a sociedade. Falam o que querem e sabem mais que deviam. Essa
semana o blog do Josias publicou quais, quando, quantos e por quê os/as ministros/as deixarão seus
cargos. Como pode um blog anunciar isso?
O que eles sabem? Como eles sabem?... Eles sabem? Essas informações me
parecem mais especulativas e “forçativas” do que informativas. Afinal, que
jornalista que não gosta de fazer uma pressãozinha?
Quem deveria anunciar isso não é o próprio governo? Mídias
governamentais existem, mas são realmente uma fonte de diálogo entre governo e
sociedade? Aliás, existe diálogo? É claro que não. Tudo é informado depois de
decidido. Para existir diálogo deveria existir consulta, e deveria existir uma
democracia um pouco mais participativa. Mas isso é assunto para um outro post.
As mídias governamentais deveriam ser usadas mais como fonte
de consulta do que meramente informativas.
Mas não, a fonte de consulta, no caso, é a nossa grande e
tendenciosa mídia, que é mais especulativa do que informativa. A questão é: se
o governo deixa escapar essa informação, por que o faz para a mídia corporativa
que representa a parcela mais conservadora da sociedade? Que tipo de opinião e
reação está sendo medida por meio dessa mídia?
Enfim, continuamos sem voz dependendo da nossa “amada” mídia
corporativa e das decisões do alto escalão do governo federal, que já não ouvia
os gritos dos povos do Xingu e agora parece não ouvir voz das mulheres e
negros/as...
Não duvido das intenções da presidenta, mas a mídia adora
ficar martelando um boato até que vire verdade! E, nos resta aguardar os
próximos capítulos. Só não esperem que fiquemos quietas!
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Júlia Zamboni
Colecionadora de sonhos, as vezes tira
um da caixinha e tenta realizá-lo. Além disso, é antropóloga,
mestranda em comunicação social, feminista e foi uma das organizadoras
da Marcha das Vadias de Brasília.


quinta-feira, novembro 24, 2011


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