quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Reforma ministerial: mídia informativa ou especulativa?




Foto: Jorge Henrique Cordeiro.


A relação mídia e governo já se tornou até banal. Já sabemos o que esperar de um e de outro. Ultimamente me surpreendeu ouvir declarações do Ministro Carlos Lupi. Pelo visto não é só a mídia que tem o costume de estereotipar e inferiorizar a mulher. O ministro disse à presidenta Dilma “você sabe que eu te amo”. Foi uma espécie de pedido de desculpas pelas besteiras ditas anteriormente. É revoltante esse tipo de tratamento. Ministro, acho que não entendeu muito bem o papel que as mulheres ocupam atualmente e muito menos nossas aspirações. Não somos meninas carentes a espera de um “eu te amo”. Falar isso nunca resolveu nenhuma situação de conflito entre casais, que dirá numa relação profissional.  Aliás, chega a ser patético, Sr. Ministro.


E, o mais irônico disso tudo é eu ter que concordar com Arnaldo Jabor, que é conhecido por sua arrogância, machismo e ignorância. Noentanto, até ele criticou o machismo e o desrespeito do ministro Lupi. Que curioso!


Mas é claro que a mídia não virou feminista. A grande mídia quer criticar o governo Dilma, e insiste no boliche de ministro e na reforma ministerial. 




Quando o governo fala em marco regulatório das comunicações, a mídia estremece e vem com o argumento distorcido de sempre: “é censura!”. Mas a mídia adora – e se acha no direito de – falar e exigir a reforma ministerial!


Mas não nego que a mídia tem o direito e o dever de cobrar o poder público. Mas ela representa a vontade de quem? A voz de quem?


A grande mídia já anuncia a reforma ministerial, Dilma diz que é boato. E os movimentos começam a reagir! Ei, peraí, em quem a gente acredita? 


A questão é que essa mídia não pode ser o único interlocutor do governo com a sociedade. Falam o que querem e sabem mais que deviam. Essa semana o blog do Josias publicou quais, quando, quantos e por quê os/as ministros/as deixarão seus cargos. Como pode um blog anunciar isso?  O que eles sabem? Como eles sabem?... Eles sabem? Essas informações me parecem mais especulativas e “forçativas” do que informativas. Afinal, que jornalista que não gosta de fazer uma pressãozinha?

Quem deveria anunciar isso não é o próprio governo? Mídias governamentais existem, mas são realmente uma fonte de diálogo entre governo e sociedade? Aliás, existe diálogo? É claro que não. Tudo é informado depois de decidido. Para existir diálogo deveria existir consulta, e deveria existir uma democracia um pouco mais participativa. Mas isso é assunto para um outro post.

As mídias governamentais deveriam ser usadas mais como fonte de consulta do que meramente informativas. 


Mas não, a fonte de consulta, no caso, é a nossa grande e tendenciosa mídia, que é mais especulativa do que informativa. A questão é: se o governo deixa escapar essa informação, por que o faz para a mídia corporativa que representa a parcela mais conservadora da sociedade? Que tipo de opinião e reação está sendo medida por meio dessa mídia?
Enfim, continuamos sem voz dependendo da nossa “amada” mídia corporativa e das decisões do alto escalão do governo federal, que já não ouvia os gritos dos povos do Xingu e agora parece não ouvir voz das mulheres e negros/as...


Não duvido das intenções da presidenta, mas a mídia adora ficar martelando um boato até que vire verdade! E, nos resta aguardar os próximos capítulos. Só não esperem que fiquemos quietas!


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Júlia Zamboni

Colecionadora de sonhos, as vezes tira um da caixinha e tenta realizá-lo. Além disso, é antropóloga, mestranda em comunicação social, feminista e foi uma das organizadoras da Marcha das Vadias de Brasília.

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