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| Matéria do Correio Braziliense, 13/04/2012. |
O julgamento do STF me surpreendeu positivamente por causa dos argumentos apresentados, muitos falando da autonomia da mulher para decidir se deve ou não levar a gravidez adiante. Muitos também citaram jargões feministas, como quando o Ayres Brito disse que se os homens engravidassem, o aborto já teria sido legalizado. Do outro lado, religiosos (ou não) organizavam os argumentos contrários, geralmente falando sobre a necessidade de se preservar a vida dessas crianças. Apesar de achar que esse argumento não tem nada a ver, porque na verdade as vidas que estão realmente em risco é a das mulheres. A gravidez de anencéfalo não só dá poucas chances de sobreviência à criança mas põe totalmente em risco a vida da mulher, especialmente se a criança morre antes de nascer.
Eu sou a favor do aborto em qualquer situação, desde que seja num
periodo da gravidez em que a vida é só potencial, ou seja, que não é uma
criança em condições de viver fora do corpo da mãe (o que geralmente
acontece depois dos seis meses). Mas é uma coisa controverda dentro do
próprio movimento feminista, muita gente defende que o limite é um pouco
antes, até os quatro meses, e outras defendem que seja em qualquer
período da gestação. Enfim, uma discussão que também vale a pena.
No julgamento, um dos ministros usou um argumento que eu também acho que vale a pena a gente pensar. Ele disse que não devia ser só os casos de anencefalia que deveriam estar em questão, mas o de todas as doenças que prejudicam o desenvolvimento dos fetos. Uma amiga minha levantou a questão: se soubéssemos que o feto tem um problema desses, isso aumentaria a chance da gente querer abortar?
Eu não sei, e acho que esse não pode ser o foco da discussão.


segunda-feira, abril 16, 2012

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