sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mexeu com uma, mexeu com todas!


A princípio, o propósito dessa coluna era trazer narrativas e exemplos de mulheres de todo o mundo que nos inspiram a sermos cada vez mais audaciosas. Mas dessa vez, vim falar de uma mulher que é uma vergonha para todas as demais companheiras espanholas que estão lutando por uma sociedade mais justa. 

 
Desde o ano passado, na toada da Primavera Árabe, desencadeou-se na Espanha um movimento, chamado 15M, que reivindica entre outras coisas uma democracia real. Desde então, em várias regiões do país, realizam-se periodicamente assembleias para se discutir diversas questões, como desemprego, desalojos, políticas governamentais de reforma laboral e educacional, representação, eleições, etc.

Recentemente, estudantes do Instituo Lluis Vives, da Comunidade Autônoma de Valência, saíram em massa às ruas para protestar contra a reforma educacional que se está realizando no país. Tal reforma, que visa a diminuição de gastos com universidades e institutos públicos e o cessar de contratação de professores, se insere no contexto das políticas de redução de gastos públicos, exigidos pela União Europeia para conter o aumento da dívida pública espanhola e evitar a ruptura da zona do euro. 

Os estudantes que portavam apenas livros como instrumento simbólico de luta, foram brutalmente agredidos pelos policiais antidistúrbio e 43 estudantes, inclusive menores de idade, foram presos. A atuação violenta dos policiais foi ordenada e legitimada pela Delegada de Governo, Paula Sánchez de León, que se justificou afirmando que os protestos foram realizados sem autorização da prefeitura de Valência. Segundo a Delegada, cada vez mais o 15M tem feito proliferar, desordeiramente, protestos que promovem a desordem e o desrespeito à segurança coletiva, e por isso a necessidade da atuação da polícia antidistúrbio.

Em reação a tal posicionamento, em diversas outras cidades, sob o grito de ordem lo que toca a una nos tocan a todas (mexeu com uma, mexeu com todas), estudantes e professores saíram às ruas em apoio aos colegas valencianos, exigindo a cassação do cargo da Delegada.  Ainda não se tem um posicionamento do governo espanhol a respeito disso. Infelizmente, Paula Sánchez é o desexemplo de mais uma dama de ferro que pensa que governar com pulso firme é sinônimo de legitimar ação policial violenta. E o diálogo com os movimentos sociais, mais uma vez, é esquecido. No Brasil não tem sido muito diferente, né?


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Larissa Araújo
Indignada latino-americana, a Lari vem tentando mudar o mundo e a si mesma. O Feminismo tem ajudado bastante.






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