A princípio, o propósito dessa
coluna era trazer narrativas e exemplos de mulheres de todo o mundo que nos
inspiram a sermos cada vez mais audaciosas. Mas dessa vez, vim falar de uma
mulher que é uma vergonha para todas as demais companheiras espanholas que
estão lutando por uma sociedade mais justa.
Desde o ano passado, na toada da Primavera Árabe, desencadeou-se na Espanha um movimento, chamado 15M, que reivindica entre outras coisas uma democracia real. Desde então, em várias regiões do país, realizam-se periodicamente assembleias para se discutir diversas questões, como desemprego, desalojos, políticas governamentais de reforma laboral e educacional, representação, eleições, etc.
Recentemente, estudantes do
Instituo Lluis Vives, da Comunidade Autônoma de Valência, saíram em massa às
ruas para protestar contra a reforma educacional que se está realizando no
país. Tal reforma, que visa a diminuição de gastos com universidades e
institutos públicos e o cessar de contratação de professores, se insere no contexto
das políticas de redução de gastos públicos, exigidos pela União Europeia para
conter o aumento da dívida pública espanhola e evitar a ruptura da zona do
euro.
Os estudantes que portavam apenas
livros como instrumento simbólico de luta, foram brutalmente agredidos pelos
policiais antidistúrbio e 43 estudantes, inclusive menores de idade, foram
presos. A atuação violenta dos policiais foi ordenada e legitimada pela
Delegada de Governo, Paula Sánchez de León, que se justificou afirmando que os
protestos foram realizados sem autorização da prefeitura de Valência. Segundo a
Delegada, cada vez mais o 15M tem feito proliferar, desordeiramente, protestos que promovem a desordem e o desrespeito
à segurança coletiva, e por isso a necessidade da atuação da polícia
antidistúrbio.
Em reação a tal posicionamento,
em diversas outras cidades, sob o grito de ordem lo que toca a una nos tocan a todas (mexeu com uma, mexeu com
todas), estudantes e professores saíram às ruas em apoio aos colegas
valencianos, exigindo a cassação do cargo da Delegada. Ainda não se tem um posicionamento do governo
espanhol a respeito disso. Infelizmente, Paula Sánchez é o desexemplo de mais
uma dama de ferro que pensa que governar com pulso firme é sinônimo de
legitimar ação policial violenta. E o diálogo com os movimentos sociais, mais
uma vez, é esquecido. No Brasil não tem sido muito diferente, né?
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Larissa Araújo
Indignada latino-americana, a Lari vem tentando mudar o mundo e a si mesma. O Feminismo tem ajudado bastante.


sexta-feira, fevereiro 24, 2012

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