Às vezes acontece de, mesmo sabendo tudo - prós e contras, entender que não é fácil e que vai doer de qualquer maneira - simplesmente dói. Dói muito. E por achar que não está doendo a outra pessoa me machuca. Quer me fazer sentir o que ela sente, quer extravasar, dizer o que veu não quero ouvir. E aí a minha dor fica maior ainda.
Eu aprendi que para ela nunca devo dizer tudo. Limite. Aprendi que para ser quem eu sou na vida dela, não tem fraqueza, só tem tranco. Sem choro. Ela é que ensinou, quando eu achei que pelo menos em casa podia chorar. Tantas vezes desabei por confiar que ali era o meu lugar. Foram muitas brigas até eu entender que nem ali eu podia ser frágil. Limites, vazios, angústias, são coisas que não tem abrigo a não ser em mim mesma. É melhor chorar sozinha, no parque, debaixo da árvore, na calçada, na beira do lago. Porque magoar é prerrogativa de quem sente demais e atinge em cheio quem ainda não sabe como mostrar que sente.
Calar quando se tem muito a dizer. Engolir o choro, mesmo que ele fique o dia todo entalado na garganta.
Remoer a raiva. Compartilhar com outras pessoas que se importam - aos poucos, porque elas tem a vida delas.
Depois voltar a olhar nos olhos e quem sabe se fazer entender de outro jeito. Ou não, simplesmente sentir e ficar só. Solidões permanentes e vazios contínuos são vida também, como a matéria negra também é universo.
Tem dias que eu quero ser mais compreendida do que compreender.


quinta-feira, fevereiro 09, 2012

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