A primeira vez que eu ouvi falar
de Simone de Beauvoir foi em uma aula de filosofia do primeiro ano. Segundo o
professor, ela não teria sido uma filósofa muito importante história da
filosofia, num sentido mais teórico, mas sem dúvida suas idéias influenciaram
de muitas maneiras a sua geração e as que se seguiram.
A primeira vez que vi Simone foi
na foto projetada nessa mesma aula. “Bonita”, pensei. “Bonita demais para o
Sartre” (que aparecia na foto seguinte).
A aula me deixou empolgada e com
a cabeça fervilhando de perguntas: quem teria sido aquela mulher? Como conheceu
Sartre? Como decidiram viver um relacionamento aberto, nada convencional para a
época? Por que ela era feminista? O que isso significava? Fui me perguntando na
saída da aula, a caminho da biblioteca.
Fui procurar na estante. Achei
vários livros dela, mais do que eu esperava encontrar. Alguns volumes eram mais
grossos, outros nem tanto. Sem saber direito o que procurava, recorri às
orelhas. Eu nunca gostei muito de biografias e embora tivesse muita curiosidade
de saber quem era ela, achei que uma boa busca no Google daria bons resultados
e descartei vários romances autobiográficos logo de saída.
Foi quando eu vi “O Segundo Sexo”.
Resolvi levá-lo, primeiro porque o título parecia interessante e depois porque
na orelha dizia que aquele livro influenciara todo o feminismo posterior. Nem
sabia direito o que era feminismo, mas parecia legal. Coisa de mulheres fortes,
de gente inteligente.
Comecei a ler muito curiosa, mas
quase desisti porque achei os primeiros capítulos um saco. Era demais concordar
que as mulheres tinham inveja dos pênis, como afirmava Freud. Pulei. Comecei a
ler o restante aos pedaços, encantada com algumas idéias, reticente com outras,
alegre por encontrar eco para coisas que mamãe sempre dizia mesmo mal tendo
concluído o Ensino Médio.
Era uma leitura
muito densa para uma menina de 14 anos, mas sem dúvida nenhuma aquilo mudou a
minha vida. Dois anos mais tarde leria “Tête à Tetê” e mudaria a minha forma de
pensar os relacionamentos. Depois leria novamente “O Segundo Sexo”, já com as
lentes mais criteriosas da academia, encontrando as contradições, entendendo
melhor os problemas a respeitando o marco que a obra representou para o feminismo.
Hoje penso que sua contribuição
para a filosofia é frágil e seus romances não me agradam num sentido literário.
Acho que seu feminismo pode e deve ser criticado, repensado, e ainda bem que
vários avanços foram feitos de lá pra cá. Sobre sua personalidade, até hoje me
pergunto algumas coisas sobre ela. Não sei porque ela se apaixonou pelo Sartre, sou convencida de que ele era um chato com um ego do tamanho do mundo. Nada
me tira da cabeça que ela era demais pra ele. Imagino que outros
amores eram possíveis e que a idéia do amor necessário que eles construíram
também a aprisionou de alguma maneira.
Achei que este dia não poderia passar em branco, ainda que o post tenha sido escrito tarde. Precisava lembrar que ela minha primeira inspiração feminista, a
primeira a dar forma a várias idéias que eu guardava para mim e a me fazer
pensar temas como relacionamentos lésbicos a prostituição. Mais do que merecida
a comemoração do seu aniversário hoje.
Recomendo: Na cama com Simone, post da Bia para o Biscate Social Club.
Simone de Beauvoir: o que é ser mulher, post das Blogueiras Feministas.
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Simone de Beauvoir: o que é ser mulher, post das Blogueiras Feministas.
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Priscilla Brito
Tem
problemas de concentração e pensa milhões de coisas ao mesmo tempo.
Quase sempre, são planos de como mudar o mundo a partir das inspirações
feministas cotidianas.


segunda-feira, janeiro 09, 2012



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