sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Fórum Social Temático: atividades da semana


 Foto: Conexões Globais

A minha impressão de que o Fórum é muito mais legal por causa das pessoas do que pelas atividades em si vai se confirmando aos poucos. Não que as atividades não sejam boas, tenho aprendido bastante com gente de todos os lugares do mundo, especialmente da América Latina. Parece que o espanhol é a língua oficial do FST.
Antes de ontem, dia 25, eu estive em uma atividade sobre o empoderamento das mulheres negras que contou com a presença da atual ministra da SEPPIR, Luiza Bairros. Enfatizou-se, durante a atividade, a importância da luta das mulheres negras na construção da democracia nos países da América Latina. “A luta pela igualdade racial não é só do movimento negro”, disse uma das convidadas, “é de quem que lutam pela democracia. A representante da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) anunciou a organização de uma marcha nacional de mulheres negras no ano de 2015.


A ministra Luiza Bairros apontou a necessidade de se discutir no âmbito do movimento as formas de poder mais “tradicionais”, como partidos, eleições e reforma política. “Não adianta ter só uma pessoa em determinado espaço de poder, tem que ir além, entrar nessa política em grandes números”, disse a ministra.

No início da noite, a atividade mais concorrida era a do Conexões Globais, que contou com a presença de Gilberto Gil. Aliás, se eu pudesse eu só ficaria nas atividades do Conexões, na cada de Cultura Mário Quintana. Gente, tem tanta coisa legal... Queria ter ido na oficina de wordpress... enfim.
Gil falou do uso das redes sociais em mobilizações como a Primavera Árabe. Depois dele, Vinicius Wu, chefe do gabinete digital do governo de Porto Alegre falou a importância do debate sobre o uso de ferramentas livres e de inclusão digital para garantir a transparência governamental. 



No 26, a Articulação feminista Marcosur promoveu a discussão dos direitos a serem incorporados à discussão na Rio+20, especialmente no que se refere às questões de gênero e raça.

Mas o momento mais esperado era a atividade com a presidenta com representantes das organizações ligadas à organização do Fórum Social Temático. Claro que eu não entrei lá e não fui convidada, mas depois peguei as informações divulgadas e conversei com quem estava lá. 

Pablo Salon, ambientalista, criticou o conceito de economia verde, segundo ele muito ligado à idéia de mercantilização capitalista. Carmen Foro (CUT) cobrou da presidenta mais empenho no atendimento às demandas históricas do movimento sindical e rural como redução da jornada de trabalho e reforma agrária.


A melhor notícia da noite, no entanto, foi a decisão da presidenta de retirar a MP 557 da pauta do executivo. A presidenta admitiu o equívoco em relação à decisão e foi aplaudida de pé pelas pessoas presentes, especialmente pelo movimento feminista, que desde a publicação da Medida havia se posicionado radicalmente contra o seu conteúdo.

Eu não faço nem idéia de como a presidenta vai fazer isso, mas fiquei muito contente com a sua humildade em admitir o erro. Aproveitei então para comemorar brindando diante de um pôr do sol espetacular às margens do Guaíba. No caminho, conheci o ônibus do pessoal do Transparência Hacker, que está estacionado perto do Gasômetro.

A noite de ontem terminou com outra visita ao Ocupa Poa. Espero conseguir falar sobre ele depois, mas valeu a pena a visita pelas conversas e pela energia trocada com as pessoas de lá. Acho que é um dos únicos Ocupas que ainda estão de pé, acho que até domingo vai rolar oficina de stencil e de gritos de mobilização (mais fáceis do que a gente tava tentando aprender lá).


Hoje e amanhã devo estar às voltas com as atividades da Articulação de Mulheres Brasileiras que planejou roda conversa, debate e grupo de trabalho sobre as demandas das mulheres para a Rio+20. Entre as convidadas estão Lilian Celiberti, do Cotidiano Mujer (Uruguai), Vera Baroni, da Articulação Nacional de Mulheres Negras e Iara Pietricosvsky, do INESC.

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 Priscilla Brito

Tem problemas de concentração e pensa milhões de coisas ao mesmo tempo. Quase sempre, são planos de como mudar o mundo a partir das inspirações feministas cotidianas.

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