Opa, eu já cresci! E o que eu sou? Sou mulher, como pouco mais da metade da população mundial. Sou mulher branca, jovem, heterossexual, não sou pobre e posso dizer que nunca passei por nenhuma discriminação que me constitua. A não ser que você considere não ser pop na escola uma opressão muito grande. No momento pode até ser meio opressivo, mas acho que isso não gera grandes traumas. Tá, isso não diz muita coisa sobre mim, acho que são incontáveis as pessoas que se encaixam nesse padrão. Sou cientista política. Isso lá é profissão? Não existe nem mesmo entre as opções quando se vai abrir uma conta em banco! Pesquisadora é melhor? Parece um pouco recenseador do IBGE... não é bem isso, mas vai lá. Hobbies? Danço, pinto, leio, vou ao cinema e por que não, assisto novelas. Crenças? As mais contraditórias: esquerdista, feminista, católica, aceitando tudo mais que parecer fazer sentido, pelo menos por um instante.
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| Liquidnight, no Flickr, em CC (alguns direitos reservados) |
Tudo isso é para dizer o quanto é difícil me definir. Passamos boa parte da vida querendo ser alguma coisa, e parece que esquecemos que o verbo ser é também intransitivo. Eu sou tudo isso, mas isso não me define, porque além de ser tudo isso, eu sou, e ponto final. Me constituo pela minha origem, sexo, cor de pele, trabalho, crenças, hobbies, mas não só por isso. Se assim fosse, quantas iguais a mim existiram no mundo? E por causa disso, também é tão difícil pensar em fórmulas. Não só em fórmulas para o sucesso, como em livros de auto-ajuda, até porque não escreveria sobre isso nesse blog (nem em lugar nenhum), mas também fórmulas políticas.
Politizar-se pode ser afirmar cada coisa que você é: esquerdista, feminista, progressista e todos os istas que podem existir. Mas não é, nem pode ser só isso. Porque se for, o adjetivo vira o principal da frase e o ser, só uma ligação entre sujeito e predicativo. Mas é o ser que dá vida ao sujeito, é ele o essencial, e não o adjetivo. Politizar-se pode ser, então, ser antes de qualquer coisa, e permitir, ao longo do tempo, perceber quais predicativos você quer colocar à direita do seu ser, mas para isso, o adjetivo não pode ser o principal.
Nesse momento em que estou, ter uma identidade, uma autonomia é uma das necessidades mais urgentes que se apresenta cotidianamente. Parece até papo de gente que não sabe o que quer, mas é verdade, e talvez seja mesmo isso que eu sou... Mas que problema há nisso? Essa busca constante me traz uma ansiedade imensa porque parece que eu preciso mostrar o tempo inteiro para mim e para quem quiser me ver o que eu sou. Mas eu não preciso ser nada, só preciso ser. Ponto final.
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Paula Pompeu
Nas palavaras da Pri: "Como um frevo suave e alegre". E com suavidade e alegria busca encontrar seu lugar no mundo!
*Contribui com o blog com textos de reflexões cotidianas.____________________________________________________________________________


segunda-feira, outubro 17, 2011


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